segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Cordelia Urueta – La Emoción del Espíritu y del Color 24 de junho a 03 de outubro


Cordelia Urueta (1908-1995) é reconhecida como “A Grande Dama da Arte Abstrata do México”. Expressão que teve origem entre os próprios artistas e intelectuais da época, como Frida Kahlo, Diego Riviera, Rufino Tamayo, Carlos Mérida e Gustavo Montoya, com quem se casou em 1935. Artistas que, como Cordelia, tornaram-se referenciais da arte latina propagada fora de seus países. Os exemplares exibidos nesta retrospectiva, composta por 27 obras, retratam as fases significativas em mais de 60 anos de produção da pintora. A mostra contou com a iniciativa da Secretaria de Relações Exteriores do México e do Consulado Geral do México em São Paulo, com o apoio do Governo do Paraná e da Secretaria de Estado da Cultura e CAIXA.
A obra da mexicana é marcada pelo uso de cores intensas, na busca do “espiritual”. “Cordelia é uma espiritualista, que possui qualidades indispensáveis para produzir obras de arte com paixão. Estamos diante de um temperamento de colorista, que procura envolver dentro do movimento de massas a potência da cor.” A afirmação é do pintor Gerardo Murillo, conhecido como Dr.Atl, que acreditou no talento da artista desde a infância dela, quando ele já freqüentava a casa dos pais de Cordelia, os escritores Jesús Urueta Siqueiros e Tarsila Sierra. Com o marido, morou em Paris e conheceu de perto o trabalho de outros artistas que influenciaram sua obra, como Henri Matisse e Pablo Picasso.
O caminho da espiritualidade
Nos anos 1940, período em que esteve nos Estados Unidos e na Europa, a pintura de Cordelia apresenta diferentes correntes estilísticas. Os personagens mexicanos retratados combinam traços ora europeus, ora indígenas. Nesta época, a artista realizou diversos trabalhos com Montoya, que foi um pintor, desenhista e escultor nacionalista, seguidor de Diego Rivera.
Na década seguinte, os retratos figurativos da pintora perderam espaço, os detalhes dos elementos pictóricos foram sintetizados e surgiram traços mais abstracionistas. Os temas de caráter metafísico também assumiram uma dimensão mais forte e Cordelia encontrou na pintura a forma mais adequada para explorar os mistérios da morte e do “espírito”. “Nas minhas obras, utilizo a janela como busca ou saída, gostaria de entrar e conhecer outra dimensão, na qual está a grande arte do futuro.” Para os especialistas, as janelas e portas – ou saídas – citadas por ela, assumem o caráter de redenção e transcendência da sua obra e, talvez, dela própria.
Eles acreditam que a espiritualidade de Cordelia pode ser entendida como o impulso criador que possuem os artistas, em um “reencontro da pintora com ela mesma
e com os seres humanos”. Dessa forma, a mexicana expressa em seus personagens a busca de questões “etéreas”. O retrato de Margarida Urueta, pintado em 1948, talvez seja o melhor exemplo do quanto a artista buscou expressar, através das cores, a essência poética e a personalidade de sua irmã.
A expressão de a grande dama do abstrato surgiu nos anos 1960, quando a comunidade artística reconheceu a importância do trabalho de Cordelia. Período que marca a independência e a maturidade da obra de Cordelia, na representação dos estados da alma. Temas de denúncia social, tecnológica e bélica são retratados com mais vigor nos anos 1970. Os “seres humanos pintados são mais pesados, imóveis, e se convertem em personagens petrificados”, como crítica aos prejuízos do avanço tecnológico. Esse aspecto de denúncia também é percebido nos anos 1980, época em que o tema do petróleo era discutido no México. Nesta fase, os personagens aparecem em suas obras mortos e desmembrados.
Serviço:
Cordelia Urueta – La Emoción del Espíritu y del Color
Parceria: Secretaria de Relações Exteriores do México e Consulado Geral do México em São Paulo
Apoio: Governo do Paraná, Secretaria de Estado da Cultura e CAIXA.
Visitação: de 24 de junho a 03 de outubro 2010
Museu Oscar Niemeyer
Rua Marechal Hermes, 999
Aberto de terça a domingo, das 10h às 18h
R$ 4,00 inteira e R$ 2,00 estudantes, com carteirinha
Gratuito para grupos agendados da rede pública, do ensino médio e fundamental, para estudantes até 12 anos, maiores de 60 anos e no primeiro domingo de cada mês.
(Do MON)

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